Textos bíblicos, Taizé

Agosto:



João 16,16-24: A vossa tristeza há-de converter-se em alegria

Jesus disse aos seus discípulos: «Ainda um pouco, e deixareis de me ver; e um pouco mais, e por fim me vereis.» Disseram entre si alguns dos discípulos: «Que é isso que ele nos diz: ’Ainda um pouco, e deixareis de me ver, e um pouco mais, e por fim me vereis’? E também: ’Eu vou para o Pai’?» Diziam, pois: «Que quer ele dizer com isto: ’Ainda um pouco’? Não sabemos o que ele está a anunciar!».

Jesus, percebendo que o queriam interrogar, disse-lhes: «Estais entre vós a inquirir acerca disto que eu disse: ’Ainda um pouco, e deixareis de me ver, e um pouco mais, e por fim me vereis’? Em verdade, em verdade vos digo: haveis de chorar e lamentar-vos, ao passo que o mundo se há-de alegrar. Vós haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria! A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque chegou a sua hora; mas, quando deu à luz o menino, já não se lembra da sua aflição, com a alegria de ter vindo um homem ao mundo. Também vós vos sentis agora tristes, mas eu hei-de ver-vos de novo! Então, o vosso coração há-de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria. Nesse dia, já não me perguntareis nada. Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai em meu nome, ele vo-la dará. Até agora não pedistes nada em meu nome; pedi e recebereis. Assim, a vossa alegria será completa.» (João 16,16-24)


Nunca é fácil dizer adeus, especialmente se for a alguém que nos amou e que deu à nossa existência esperança e um sentido. Jesus anuncia aos seus discípulos que deve partir. Fala da sua partida como «ir para o Pai» (Jo 16,5; 17). Compreensivelmente, os discípulos entristecem-se com este anúncio e com a separação. Porque a explicação de Jesus é enigmática, estão não só tristes mas também confusos.

Esta passagem do Evangelho está situada antes da paixão de Cristo, quando Jesus tenta preparar os seus discípulos para a sua morte. Porém, foi escrita após esse momento. João escreve para uma comunidade de cristãos que está desanimada. Acreditam na mensagem de Jesus, crêem na ressurreição, mas a mensagem deste anúncio não foi bem recebida. Não será semelhante à situação das comunidades cristãs actuais? Numa sociedade secularizada e altamente tecnológica, parece, por vezes, que não há lugar para a mensagem do Evangelho.

Jesus não promete modificações na vida externa dos discípulos. A vida destes não será mais fácil apenas porque decidiram segui-lo. Jesus diz até que o mundo se vai alegrar quando vir a sua tristeza (v. 20). Então, como é que Jesus restaura a esperança dos seus discípulos?

Fá-lo ao convidá-los a ter um olhar diferente sobre os acontecimentos. A tristeza coloca um véu sobre os nossos olhos e distorce a realidade. Quando a dor invade os nossos corações, podemos permanecer tão fechados em nós mesmos que deixamos de ver o que acontece. Isto conduz-nos ao desânimo, um poderoso inimigo. Pela sua morte e ressurreição, Jesus revela-nos que o sofrimento, a dor e a morte, apesar de serem reais, não têm a última palavra.

Para o explicar, Jesus conta uma parábola que fala sobre a experiência universal de uma mulher que dá à luz (v. 21). No parto, a mulher não pode escapar à dor, obrigatória para que possa atingir a alegria. Da mesma maneira, a cruz somente pode ser entendida à luz da ressurreição. Esta não elimina a cruz, mas transforma o sofrimento em esperança, permitindo aos discípulos acreditar que, apesar da dor, é possível um futuro. Jesus faz aos seus discípulos o convite de ver o mistério pascal como o paradigma da experiência humana e cristã.

A alegria verdadeira liberta-nos. Uma falsa alegria é efémera e pode conduzir à servidão. De modo a libertarem-se da sua pena, os discípulos têm que descobrir uma alegria que seja tão impressionante como a sua dor. Esta alegria não é artificial. Assim como a vida, é um dom, dado nos momentos mais inesperados. É uma felicidade interna que coloca a descoberto uma esperança tantas vezes escondida. É a alegria de onde retiramos a generosidade para dar a nossa vida pelos outros. É a alegria da ressurreição.

- Em que momento tive a experiência de uma situação de dor que foi transformada em alegria?

- Na minha vida quotidiana, o que me ajuda a fazer «uma opção pela alegria»?

- De que forma esta opção altera o modo como vejo a minha vida e os acontecimentos?