Ad Limina



«Recordemos que no discurso aos bispos de Portugal, o Santo Padre afirmou que a catequese deve fundamentar-se acima de tudo no “testemunho de vida”. Disse ainda que há “paróquias estagnadas” e “por vezes centradas e fechadas no ‘seu’ pároco” e pediu ao episcopado português para se preocupar com a “debandada da juventude”.» in radio vaticana

Após este apontar de dedo para a realidade, por parte do Papa aos bispos portugueses apareceram outras vozes, nomeadamente, o responsável pela catequese na diocese de Braga que afirma:


«Eu não acho que os jovens se estejam a afastar, os jovens nunca cá estiveram. Nós temos uma ilusão, que com o facto de termos os jovens durante dez anos na catequese formamos discípulos de Jesus Cristo. Isso não acontece. Porque nós temos uma catequese num registo escolar, que é um arremedo, e fraco, da má escola. Nós importámos o modelo de organização escolar e depois aplicámos nele o itinerário catequético. Ora, muitos vieram para a catequese sem terem feito o despertar religioso, e depois estão aqui por algumas motivações, para fazer a primeira comunhão, estão aqui porque o pai manda, ou porque depois têm que fazer o crisma para que o senhor padre os deixe ser padrinhos. A catequese não é estar aqui para, é estar aqui porque, eu estou na catequese porque quero conhecer e seguir Jesus Cristo. Portanto, como nunca estiveram, depois é mais visível, porque depois do crisma nós não temos nada que os obrigue e então eles vão-se embora.»
 Podemos vociferar criticas e apontar dedos a quem falhou ou a quem não cumpriu. Mas será que o problema é a sistematização? É o catequista? É a formação do catequista?É a motivação da criança? Serão os pais? É o pároco?

Mas se sabem onde está o problema porque tardam em actuar?
Mesmo assim este responsável peca por não responder assertivamente ao centrismo/absolutismo no qual a igreja paroquial está envolta e que também foi alvo de acusação por parte do Papa.
Afinal, em muitas paróquias, quem deveria servir os outros, estranhamente, serve-se primeiro.


Voltemos à questão inicial: Mas, afinal, onde estão os jovens?
Estão onde sempre estiveram: na rua, em casa, na escola. 

Mas será que alguém verdadeiramente preocupou-se em ir ter com o jovem e apresentar-lhe um projecto? Um projecto no qual ele podesse acreditar e sentir-se útil, ouvido, querido.

Quantas paróquias podemos encontrar pelo nosso querido Portugal nas quais não existe qualquer tipo de projecto/ proposta que inclua os jovens? Que os acolha tal como eles são? Que os permitam ser jovens?!

Quantas serão as paróquias que preferem remeter para os cafés os jovens? Porque é difícil, é penoso...

Quantas serão as paróquias que estão em crise por comodismo, mordomismo infectadas com uma fé farisaical, supérflua, sem qualquer rigor ou alicerce no Evangelho. Que permitem desbaratar os sacramentos como se tratasse de fastfood. Vende-se orações e eucaristias como se fossem pares de sapatos.

Hoje vemos igrejas paroquiais onde existem mais abutres do que pombas a sobrevoarem o céu. Lamentavel, termos de chegar a este ponto: o próprio Papa a chamar a atenção para algo que é visível mas que os responsáveis tardam em responder e actuar.

Vergonhoso. 

Deixo, por ultimo, Nietzche:

Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste acto não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu acto mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste acto, de uma história superior a toda a história até hoje!