Meditação de Junho - Taizé

Jesus disse: Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber, nem andeis ansiosos, pois as pessoas do mundo é que andam à procura de todas estas coisas; mas o vosso Pai sabe que tendes necessidade delas. Procurai, antes, o seu Reino, e o resto vos será dado por acréscimo. Não temais, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino. Vendei os vossos bens e dai-os de esmola. Arranjai bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável no Céu, onde o ladrão não chega e a traça não rói. Porque, onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.
(Lucas 12,29-34)

Será que Jesus é ingénuo? Não compreende que vivemos num mundo em que temos de nos esforçar para satisfazer as nossas necessidades essenciais? Quando lemos com atenção os Evangelhos, vemos que Jesus não é nada ingénuo. Certo dia, disse aos seus discípulos: «Envio-vos como cordeiros para o meio de lobos» (Lucas 10,3).

Neste texto, Jesus reconhece que a humanidade tem necessidades e recorda que Deus sabe bem de que é que os seus filhos precisam. Então, por que razão ele diz aos seus discípulos de modo tão imperativo: «Não vos inquieteis»?

Num mundo fascinado pela segurança e pelo conforto, o Evangelho coloca a todos uma pergunta fundamental: em que deposito eu a minha confiança? O que é para mim mais importante? Jesus diz aos seus discípulos que onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração. O coração, na Bíblia, é o centro da pessoa humana. É o local onde tudo se encontra – a inteligência, a vontade, a nossa capacidade de decidir e os nossos desejos mais profundos. O coração pode facilmente afeiçoar-se ao seu tesouro. É por isso que é extremamente importante aprender a escolher bem e a criar raízes naquilo que é verdadeiramente importante.

Para Jesus, o tesouro é o Reino. Falar do Reino de Deus é falar do próprio Deus. Procurar o Reino é uma outra maneira de dizer que apenas Deus pode dar uma segurança e um significado verdadeiros às nossas existências.

O discípulo é aquele que quer viver de uma maneira radical e nova, na confiança de que Deus, chamado por duas vezes «pai» no texto, sabe aquilo de que ele precisa. Quando os nossos corações compreenderem isso, então as coisas de que precisamos para viver deixam de ser a fonte da nossa vida ou a chave da nossa felicidade. Tudo encontra o seu verdadeiro lugar. As «pessoas do mundo», como Jesus lhes chama, depositam o seu coração numa má escolha, por isso vivem inquietos.

A confiança pode abrir e transformar a vida de um discípulo: «Vendam aquilo que possuem e dêem-no aos pobres». A existência dos que escutam as palavras e as metem em prática é «recentrada». As suas necessidades pessoais deixam de ser o ponto em torno do qual centram a sua vida, e começam a viver para os outros. Passam de uma existência centrada sobre si próprios para uma vida de partilha. Foi assim que viveram as primeiras comunidades cristãs (ver Actos 2,45; 4,34-37). Talvez muitos tenham começado a acreditar que o Evangelho era mesmo uma Boa Nova quando viram que, para os discípulos de Cristo, ele não era apenas um conjunto de palavras vazias.

- Onde está o meu tesouro? Como modificam as palavras de Jesus a maneira como estabeleço as minhas prioridades?

- Se fosse preciso tornar mais simples a minha existência, quer material quer interiormente, o que deixaria eu de lado? E com que coisas ficaria?

Comentários

alex..... disse…
gostei deste momento de reflexão. e mesmo esse espírito.parabéns césar. mt boa recolha.

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