Reflexão para o mês de Junho

Filipenses 4,4-7: Uma alegria à prova de tudo
Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos! Que a vossa «epieikès» seja conhecida por todos. O Senhor está próximo. Por nada vos deixeis inquietar; pelo contrário: em tudo, pela oração e pela prece, apresentai os vossos pedidos a Deus em acções de graças. Então, a paz de Deus, que ultrapassa toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus. (Filipenses 4,4-7)
Pode parecer paradoxal que a carta de São Paulo que mais fala de alegria tenha sido escrita em cativeiro, num momento em que o apóstolo não sabia se sairia em liberdade ou se transformaria num mártir. Contudo, é precisamente nesta situação difícil e complicada que Paulo descobre o segredo da alegria cristã e a partilha connosco.
Em termos humanos, a alegria ou a felicidade parecem depender, sobretudo, de circunstâncias favoráveis. Estou feliz quando estou rodeado de amigos, quando tenho à minha frente um futuro desejado, quando tenho um trabalho gratificante… Mas não é possível permanecer «sempre» alegre nessas situações, porque a vida leva-nos por «vales tenebrosos» tantas vezes como por excitantes topos de montanha.
Paulo encontrou uma fonte de felicidade inesgotável. Esta consiste numa comunhão com Cristo Ressuscitado, que já passou pelo ponto mais baixo da condição humana (3,10). Enraizado nesta Vida, o apóstolo conhece uma alegria que nada pode diminuir. Quer viva ou morra, quer os outros lhe mostrem afecto ou consigo entrem em competição (1,15-20), tudo é igual para Paulo quando observado do ponto de vista da sua relação com Cristo, que tudo ultrapassa (3,8). Aprendeu a permanecer satisfeito com tudo, a tirar partido de qualquer situação (4,11-13).
Esta equanimidade, uma serenidade inabalável e um humor sorridente que advêm da proximidade a Cristo, são, para Paulo, o sinal mais claro da vida de fé. Esta atitude pode resumir-se na palavra «epieikès», que aqui recebe um conteúdo de tal forma rico e profundo que nenhuma das nossas traduções o poderia captar. É, de facto, a chave da epístola, o segredo da alegria cristã.
Como todas as pessoas, Paulo tem, naturalmente, preocupações. Porém, longe de permitir que estas envenenem a sua existência, insere-as, através da oração, no movimento pascal de Cristo, onde prevalece sempre a acção de graças. O texto termina invocando a «shalom» de Deus, uma paz e plenitude indescritíveis que permitem ao crente sobreviver a tudo e permanecer numa alegria que se renova todos os dias.
- Já experimentei, num momento de provação, uma alegria e uma paz inesperadas?
- O que me ajuda a reforçar a minha união com Cristo vivo?
- Que papel têm na minha vida a oração de preces e a de acção de graças?

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