A Moeda



Um mendigo estava sentado num banco à beira da rua, a pedir esmola. Passou uma criança e parou uns instantes para conversar com ele. Enquanto falava acerca do lindo dia que estava, os seus olhos viram uma moeda de dois euros no chão perto do mendigo.
Discretamente, foi pondo o pé sobre a moeda e depois, num gesto rápido, meteu a moeda ao bolso e despediu-se do pobre.
No dia seguinte, o menino a caminho da escola passou de novo diante do mendigo. Desta vez os olhos do mendigo pareceram-lhe muito tristes. Pareciam ter até um ar de repreensão.
O menino, sentindo a voz da consciência a dizer-lhe que tinha feito mal em roubar na véspera, disse-lhe:
-Desculpe, fui eu que peguei ontem na moeda.
-Mas eu não te perguntei nada. Pensei até que a tinha perdido.
-Fui eu. Ao ver os olhos tão tristes, senti que o fiz sofrer.
«Meus olhos? Mas estes olhos são de vidro. Eu sou cego!»

Temos no nosso íntimo uma voz que nos fala apenas a nós para nos dizer quando fazemos o bem e, sobretudo, quando praticamos o mal. Há muitas leis e normas, mas a nossa consciência tem sempre a última palavra.

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