Aqui vai mais algumas dicas, de vida:

Aqui fica uns poemas:

O Silêncio

Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,

e o sono, a mais incerta barca,

inda demora,

quando azuis irrompem
os teus olhos

e procuram
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras

desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas.

Eugénio de Andrade, in "Obscuro Domínio"

Consciência Plena
Levas-me, consciência plena, desejante deus,
por todo o mundo.

Neste mar terceiro,
quase oiço tua voz; tua voz do vento
ocupante total do movimento;
das cores, das luzes
eternas e marinhas.


Tua voz de fogo branco
na totalidade da água, do barco, do céu,
traçando as rotas com prazer,

gravando-me com fúlgido minha órbita segura
de corpo negro
com o diamante lúcido em seu dentro.


Juan Ramón Jiménez, in "Dios Deseado y Deseante"
Tradução de José Bento

Sentes, Pensas e Sabes que Pensas e Sentes

Dizes-me: tu és mais alguma cousa
Que uma pedra ou uma planta.

Dizes-me: sentes, pensas e sabes
Que pensas e sentes.
Então as pedras escrevem versos?
Então as plantas têm idéias sobre o mundo?


Sim: há diferença.
Mas não é a diferença que encontras;
Porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as cousas:
Só me obriga a ser consciente.

Se sou mais que uma pedra ou uma planta? Não sei.
Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos.

Ter consciência é mais que ter cor?
Pode ser e pode não ser.

Sei que é diferente apenas.
Ninguém pode provar que é mais que só diferente.


Sei que a pedra é a real, e que a planta existe.
Sei isto porque elas existem.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram.
Sei que sou real também.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram,
Embora com menos clareza que me mostram a pedra e a planta.
Não sei mais nada.

Sim, escrevo versos, e a pedra não escreve versos.
Sim, faço idéias sobre o mundo, e a planta nenhumas.
Mas é que as pedras não são poetas, são pedras;
E as plantas são plantas só, e não pensadores.

Tanto posso dizer que sou superior a elas por isto,

Como que sou inferior.
Mas não digo isso: digo da pedra, "é uma pedra",
Digo da planta, "é uma planta",

Digo de mim, "sou eu".
E não digo mais nada. Que mais há a dizer?

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

Heterónimo de Fernando Pessoa


Fonte: http://www.citador.pt/index.php

Espero que gostem.
Aquele abraço e boas pedaladas, alexjudoka_gmr
Até breve.


Comentários

Ei! Sou nova no blog! se tiver umas dicas para me dar serão bem vindas! um forte abraço!

Mensagens populares deste blogue

Tema de reunião: "Valor da Oração..."

Liberdade Humana

Oração Espontânea