Deus na criação...por um SJ

Depois de ler...não consegui resistir e coloquei aqui...Tantas vezes nos deparamos com questões existencialistas que, à primeira vista, parecem questões sem sentido ou questões que assemelham-se a pequenos buracos negros das nossas vidas...Estes sugam toda a nossa vitalidade, alegria e vontade em sermos felizes em Deus, com Deus e por Deus...
Talvez, depois de lerem este pequeno texto, abra-se uma pequena luz na escuridão dos buracos negros de cada um de nós...aqui fica o desafio =)


A criação não é fruto de um acaso. É expressão do amor gratuito de Deus. Por isso mesmo toda a realidade criada está revestida de beleza e bondade e pode ser lugar de manifestação de Deus. Mas este universo que nos fascina, e às vezes nos assusta, não é uma obra terminada. E nós sabemo-lo bem porque, de uma forma ou de outra, todos experimentamos na pele o frio e o limite. Por muito que nos queiramos iludir, todos acabamos, consciente ou inconscientemente, por reconhecer que somos criaturas. E quando o frio realmente aperta e a dor é mais forte, quando nenhuma imensidão ou céu estrelado nos inspiram, a pergunta surge: "Onde está o Deus que é suposto encontrarmos em todas as coisas?"

Uma e outra vez a vida faz-nos chocar de frente com esta pergunta. Atordoados, repelimos todas as respostas fáceis e instantâneas. Mas podemos, pouco a pouco, ir descobrindo uma certeza que nem sempre cala a dor ou aquece o frio. Deus não nos abandona. Foi esta a progressiva descoberta do seu povo, cuja história a Bíblia relata. No meio de lamentos e revoltas, de acertos e pecados, o povo de Israel foi sendo capaz de reconhecer a presença de Deus que cumpriu sempre as suas promessas. Foi capaz de reconhecer no seu caminho a fidelidade d'Aquele que sempre o sustentou. Nos desacertos da nossa vida também podemos reconhecer essa fidelidade. Então, o nosso coração salta no escuro chamado pela esperança, mesmo que, no interior dessa esperança, permaneça uma ferida de incerteza.Deus promete-nos uma vida em cheio. Jesus cumpre a promessa e ensina-nos o caminho. Servindo, amando até ao fim, comprometendo-se a fundo com a nossa humanidade abre os nossos limites à plenitude. Nenhum lugar foi esquecido. E por isso todos os lugares, por muito degradados que nos possam parecer, podem ser lugares de encontro com Deus. É no nosso encontro pessoal com Jesus que os nossos sentidos e a nossa sensibilidade se convertem, aprendendo a reconhecer a presença de Deus em todas as coisas. Uma presença que se revela na força e vitalidade de uma criação dinâmica e limitada, onde a dor aparece. Uma presença que se revela na gratuidade de uma criação que também é lúdica e divertida. No meio de tudo isto, a intimidade com Deus que Jesus nos comunica é muito mais que um superficial 'tu cá, tu lá' com Deus que o transforme num compincha que transportamos para todo o lado de mão dada. É uma intimidade que nos revela um Deus sempre próximo, mas um Deus que não se dilui na criação e que por isso mesmo nos pode sustentar em todas as nossas lutas. Um Deus que nos ensina o valor sagrado da aventura humana.

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