Reflexão de Setembro

Setembro

Deuteronómio 15,7-11: Abre a mão ao teu irmão
Se houver junto de ti um indigente entre os teus irmãos, numa das tuas cidades, na terra que o Senhor, teu Deus, te há-de dar, não endurecerás o teu coração e não fecharás a tua mão ao irmão necessitado. Abre-lhe a tua mão, empresta-lhe sob penhor, de acordo com a sua necessidade, aquilo que lhe faltar. Guarda-te de alimentar no teu coração um pensamento perverso, dizendo: ’O sétimo ano, o ano do perdão das dívidas, está próximo’, recusando-te sem piedade a socorrer o teu irmão necessitado. Ele clamaria ao Senhor contra ti, e aquilo tornar-se-ia para ti um pecado. Deves dar-lhe, sem que o teu coração fique pesaroso; porque, em recompensa disso, o Senhor, teu Deus, te abençoará em todas as empresas das tuas mãos. Sem dúvida, nunca faltarão pobres na terra; por isso, eu te ordeno: Abre generosamente a mão ao teu irmão, ao pobre e ao necessitado que estiver na tua terra.» (Deuteronómio 15,7-11)


Na vida da antiga Israel, a relação com Deus era vivida através das relações de solidariedade entre os membros da nação. A passagem do livro do Deuteronómio acima ilustra bem este laço: as pessoas deviam estar preparadas para «abrir generosamente a mão» aos pobres e aos seus irmãos e irmãs.
A lei de Moisés afirma que, a cada sétimo ano, a terra não deveria ser cultivada (Lv 25,4; ver Ex 23,1-11). Tal possui razões religiosas: era o «Sabbath da terra», para recordar Israel de que o verdadeiro dono da terra era o próprio Senhor.
Este preceito, ainda que tendo natureza religiosa, tinha, também, uma importante consequência social, na medida em que o sétimo ano era, de igual modo, «o ano do perdão das dívidas» (Dt 15,1). Assim, à medida que se aproximava, os credores tendiam a estar reticentes perante o risco de uma «anulação» que os penalizaria. A isto o autor chama «pensamento perverso» (v.9), porque «o que oprime o pobre, injuria o seu Criador» (Pr 14,31). Por outro lado, dar de forma generosa conduziria à bênção de Deus (v.10)
O último versículo da nossa passagem: «Nunca faltarão pobres na terra» (v.11) recorda-nos destas palavras de Jesus (ver Jo 12,8). No entanto, esta afirmação algo resignada da persistência da pobreza conduz à recordação energética do mandamento no coração da passagem: «abre generosamente a mão ao teu irmão, ao pobre e ao necessitado que estiver na tua terra» (v.11). Ver os nossos irmãos em necessidade e abrir-lhes as mãos (ver 1 Jo 3,17) é um verdadeiro reflexo do amor de Deus pela humanidade.
- Dado o ambiente em que vivo, que resposta concreta poderei dar ao chamamento para «dar com alegria» (2 Cor 9,7)?
- De que forma ajudar o meu irmão ou irmã pobre pode ser, para mim, fonte de realização?

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